11 de janeiro de 2012

A esposa e os amigos de Jó

Esposa de Jó

Casada com um homem repleto de qualidades, esta mulher sofre até hoje nas mãos da maioria dos cristãos, devido a uma frase importuna: Amaldiçoa a Deus e morre. Mas antes de entrar na questão desta expressão pronunciada por tal mulher, vamos conhecê-la em suposições.

Jó era um homem integro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal, era realmente digno de ser chamado de ?varão de Deus?. Como todo homem que depende do Criador, a sua esposa tinha que corresponder aos princípios determinado ao povo que adorava ao Senhor. Tinha que ser íntegra, honesta, temente a Deus, direcionada pelo Espírito Santo e submissa ao seu Senhor e ao seu marido. Mas com todas estas características positivas, ela também era dotada de sentimentos humanos como todos nós. Não estava isenta da dor e do sofrimento. E como sabemos a mulher é muito mais emotiva do que o homem.

Seu casamento devia ser exemplo para todos os outros da época e a sua maneira de criar os filhos deveria ser motivo de orgulho para seu marido, pois ter e manter dez filhos não era tarefa fácil para qualquer mulher. Além de tudo isso, ela tinha um papel de auxiliar Jó em todas as suas tarefas direta ou indiretamente, isto é, quando não estava governando a casa, estava dando toda atenção que ele precisava ao retornar para lar.

Esta mulher deveria ser exemplar em todas as suas particularidades. Notamos nos primeiros versículos do livro de Jó a comunhão de seus filhos ao celebrarem uma festa. Esta comunhão somente poderia existir se tais pessoas fossem educadas a isso, e geralmente quem trabalha na educação familiar é a mãe por está sempre presente na vida de seus filhos, enquanto ou pelo menos, são crianças. Então, não existe motivos tão pesados para se questionar a vida íntegra desta mulher.

Vale ressaltar que a esposa de Jó só faria tudo isso que foi mencionado acima se dentro dela houvesse um grande amor reservado ao seu marido.

A família de Jó tinha tudo, riquezas, respeito, consideração e principalmente comunhão; até que um dia satanás foi se apresentar a Deus e questionar a vida de Jó. E a partir daí começou o sofrimento desta mulher.

Em um momento ela tinha tudo, foi vendo os bens indo embora, o respeito e outras coisas, mas mesmo assim acredito que ela continuou reta diante de Deus. Foi quando veio o pior, creio que ela estava do lado de Jó recebendo todas as notícias e sofrendo com ele, e ao avistarem outro servo pensaram: ?o que será que ainda vem??, foi quando o servo deu a notícia: Estando tuas filhas e teus filhos comendo e bebendo vinho, em casa do irmão primogênito, eis que se levantou grande vento do lado do deserto e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles, e morreram... neste momento não consigo imaginar o tamanho do sofrimento desta mulher ao perder seus dez filhos, aqueles que foram gerados e educados por ela. Dos dez se somente um morresse ainda seria motivo de muita tristeza, mas foram dez, foram todos.

Acredito que na sua memória passava-se toda a infância, todos os detalhes, todas as diferenças de cada filho. Mesmo depois de tudo isso, já estando sem forças ela encontrou ainda um motivo para viver, tinha que continuar a vida ao lado de seu marido. Mulher forte!

Ainda sofrendo com a morte de seus filhos, começou a ver o sofrimento de seu marido. E vendo que não tinha mais ninguém além dele, começou a se desesperar também e no ápice de sua dor pronunciou palavras que até hoje a condena.

O próprio Jó não a condenou, somente comparou as suas palavras como de uma louca, mas não disse que ela era.

É claro que nada justifica a questão dela ter falado isso, mas na mente dela aquela coisa martelando, pois não teria mais marido e nem filhos, e de acordo com os costumes ela iria sofrer bastante.

Creio que ela se arrepende de ter pronunciado aquelas duras palavras, pois juntamente com Jó ela consegue vencer. E tudo que Deus abençoou a Jó, ela também recebeu. Os dez filhos que ela tivera foram renovados e toda a sua alegria também.

Amigos de Jó

Jó como todo homem necessita de alguém para conversar, dividir pensamentos, desabafar, chorar e se alegrar. Ele era um homem conhecido, respeitado e honrando, por isso tinha inúmeros ?amigos?.

Mas como sabemos Jó passou por uma situação nada agradável, e nessa hora ele necessitou como nunca de seus amigos, pois se sentiu sozinho.

O livro nos conta que seus amigos ao avistá-lo ficaram transtornados com tamanha situação ao ponto de se derramarem em lágrimas, rasgarem as vestes e lançarem pó para o ar sobre suas cabeças. O momento era perturbador, mas eles permaneceram ali calados durante sete dias e sete noites, somente observando tamanha dor.

Como amigos, eles deveriam estar pensando em todas as possibilidades de se Ter uma resposta para tal sofrimento. Creio que tanto machucava ficar ali olhando para seu sofrimento como não Ter uma palavra para dizer a Jó.

Os seus nomes eram Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta e Zofar, o naamatita.

Com o pronunciamento de Jó, eles começaram a falar e também iniciaram a sessão de erros. O primeiro a comentar alguma coisa foi Elifaz, o temanita. Ele era o mais velho e mais sábio. No livro de Jó, o temanita discursou por três vezes, o primeiro no capítulo 4 e 5, o segundo no capítulo 15 e o terceiro no capítulo 22. Os seus discursos foram baseados em sua experiência de vida.

O segundo a se pronunciar foi Bildade, o suíta, com sua conversa direta. Ele agiu de acordo com a tradição e sua participação está registrada nos capítulos 8, 18 e 25.

Zofar, o naamatita, foi o terceiro a falar sobre a situação de Jó. Ele trabalha seus discursos através de suposições e seus dogmas. Vemos as suas manifestações somente no capítulo 11 e 20.

O erro do amigos de Jó era querer achar justificativas para o seu ?suposto pecado?, mas como todos não tinham sensibilidade espiritual seria impossível. Ainda hoje, muitos fazem isso acusam sem nem saber o que está acontecendo.

Elifaz, Bildade e Zofar não sabem o que criaram com isso, mas eles trouxeram uma teologia enganosa para o nosso meio, a conhecida Doutrina da Prosperidade. Na qual traz como base que o servo de Deus não pode sofrer, pois o sofrimento está relacionado com o pecado. Sabemos que esta tese não tem veracidade, pois o próprio Deus não falaria: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos, porque não tendes falado de mim o que era reto, como o meu servo Jó(Jó 42.7).

Seria bom se eles tivessem permanecido como nos primeiros sete dias, calados. Ser amigo também é saber ouvir. Quem sabe Jó não queria apenas desabafar e acabou sendo colocado na parede.

Depois dos três se manifestarem eis que surge uma voz de um homem bem mais jovem que os três, homem que passou o tempo todo calado, mas de tanto ouvir lamentos e acusações resolveu se pronunciar. O nome dele é Eliú, que usado pelo Senhor falou com ousadia, mas com respeito. O seu discurso é explanado por seis capítulos. Um discurso que superou todos os outros feitos, mesmo sendo um homem mais jovem e consequentemente menos inexperiente.

Mas isso demostra que Deus usa quem ele quer e na hora que quer.

Com tudo isso percebemos que Jó tinha amigos, mas nem sempre os amigos são os melhores conselheiros.