12 de dezembro de 2011

O que sabemos acerca de autoridade?





    Algumas igrejas neo-petecostais têm introduzido em seu acervo de ensinamentos, algumas novidades acerca de "autoridade" e "legalidade". E pelo modo como tais ensinamentos vêm ganhando espaço no meio evangélico, em breve terão o "respaldo de doutrina", pois, todo ensinamento que passa a ser "normativo", com a natureza de ditar um padrão para a conduta cristã, torna-se uma doutrina. É disto que falaremos!
    Reconhecemos a dificuldade em abordar este tema, tanto pela profundidade inerente ao assunto, quanto pela possibilidade de inúmeros pontos de vista...
   
    >>>Esclarecemos que a intenção deste estudo NÃO É apoiar a insubmissão por parte de ninguém. Também NÃO estamos negando a existência do princípio de(a) autoridade. Concordamos que a insubmissão é um grave pecado! E que abre brechas terríveis em qualquer relacionamento.

        * Definindo os termos:
   
    Autoridade, Domínio e Poder são palavras que andam juntas, e em dados momentos fundem-se num só princípio... O que chamaremos de PRINCÍPIO DA AUTORIDADE!
    Vamos primeiramente às principais definições: (AURÉLIO /+/ Silveira Bueno)

>PODER: Ter a faculdade de; ter possibilidade; dispor de força ou de autoridade;...
<<É a manifestação (externação) do domínio>>

>AUTORIDADE: 1. Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir, etc.
2. Aquele que tem tal direito ou poder.
3. Os órgãos do poder público.
4. Aquele que tem por encargo fazer respeitar as leis; representante do poder público.
5. Poder atribuído a alguém; domínio: autoridade paterna.
6. Influência, prestígio; crédito.
7. Indivíduo de competência indiscutível em determinado assunto.
8. Permissão, autorização.

>DOMÍNIO: Dominação, autoridade, poder; Posse, senhorio.
<> 

> >>DELEGAR: É a transmissão do poder e da autoridade (de quem o tem), para outro exercê-lo em nome do primeiro. Entende-se que o domínio pertence ao primeiro; que poderá, a qualquer tempo, rever/julgar tal processo de delegação. Um bom exemplo é o caso de Moisés que, por conselho de Jetro, designou homens que ficaram encarregados de exercerem autoridade para julgar o povo. (Êxodo 18)

    A todo tempo estamos exercendo/enquadrados no PRINCÍPIO abordado, ora somos autoridade, ora estamos sujeitos à autoridade.     No Evangelho de Mateus, encontramos um exemplo perfeito que foi "louvado" pelo Senhor Jesus: - o momento em que aquele centurião aproximou-se do Senhor para pedir em favor de seu criado (MAT 8:5-13). Neste texto vemos um homem que tinha uma visão exata do que é o princípio da autoridade!
    Atentemos para a narração do versículo 8: "Também eu sou homem sujeito à AUTORIDADE, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este; vai, e ele vai; e digo a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto e ele o faz".

    Podemos dizer então que, a autoridade é o exercício do poder; é a maneira como o poder é exercido!! É também quem exerce o poder.
Vejamos a pergunta que os escribas fizeram aos apóstolos em Atos 4:7 - "Com que poder OU em nome de quem fizestes isto?" O que pode ser interpretado como: Com que autoridade vocês fizeram tal coisa? Observemos que eles mencionam um - "OU" - em nome de quem - o que demonstra que compreendiam a transferência legal do poder por meio da delegação...

    Porém, dentro deste tema, uma das principais palavras a ser analisada é: SUBMISSÃO!!!
    SUBMISSÃO significa (Aurélio): 1. Ato ou efeito de submeter(-se) (a uma autoridade, a uma lei, a uma força); obediência, sujeição, subordinação: submissão à vontade divina, ao poder econômico, às regras do jogo; a submissão dos vencidos.
2. Disposição para aceitar um estado de dependência; docilidade: a submissão de um animal a seu dono.
3. Estado de rebaixamento servil; humildade afetada; subserviência: a submissão abjeta dos alcoviteiros.

    Na esfera cristã, jamais o princípio da autoridade deve interpretar a SUBMISSÃO como descrito nos itens 2 e 3 desta definição, EMBORA esteja correto do ponto de vista da gramática ou mesmo do ponto de vista humano, não o é do ponto de vista bíblico. A razão é muito simples: NÃO HÁ RETIDÃO em tal maneira de lidar com um irmão...

    Outro belo exemplo bíblico do princípio da autoridade é o texto narrado em I Samuel 18:5. Ali vemos Davi sendo leal e obediente (submisso) às ordens de Saul (que por ser o rei, era quem detinha o poder); e no exercício deste poder -autoridade- delegou a Davi, poder sobre as tropas "daquele". E diz o texto que Davi foi bem sucedido em todos os seus combates.

        * O que pode estar errado??

    O que é questionável na mensagem atual que vem circulando por algumas de nossas igrejas é o fato de que ela traz em seu "bojo" uma falsa idéia de que o líder é alguém infalível; e como tal, sua palavra ou suas ordens não devem ser questionadas...(Sic!). Ora, isto não é verdade!
    O que requer a nossa atenção neste ensinamento é o binômio: ["autoridade" <> "controle"]!!!
    É bastante diferente: submissão de - -...
    Vejamos as orientações de Pedro aos pastores, em sua primeira carta à igreja: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangidos mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;nem como DOMINADORES dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho." (I Ped 5:2-3).

    O que temos visto no "pano de fundo" desta "neo-doutrina" (tal mensagem, tem se tornado um fundamento para o viver cristão; e isto é transformar o assunto numa doutrina), é uma maneira de subjugar a vontade por meio de "técnicas de controle". Ora, isto não só é nocivo quanto também é perverso...!!!...
    Quando dizemos técnicas de controle, referimo-nos a processos de intimidação e de despertamento de temor por meio de ameaças ou de supervalorização do líder! Entre outros meios...
    Também podemos citar a "pregação" da necessidade de "obediência cega" ao líder... Vale a pena citarmos aqui que, o papel de um sacerdote nos dias da lei, é diferente do papel de um pastor no tempo maravilhoso da Graça! Apesar das semelhanças ministeriais, é totalmente diferente no que se refere ao exercício do poder divino que repousava sobre o sacerdote e o que repousa sobre o pastor...

    Estaríamos cometendo um grande erro, interpretar, por exemplo, que "ser cabeça e não cauda" refira-se a ser dominador sobre a igreja representada pelos santos... Vejamos Mat. 20:25-26.

    E assim chegamos ao célebre texto de Romanos 13. Este capítulo ensina-nos andar conforme a vontade de Deus dentro do princípio da autoridade. Como trata-se de um texto simples, não há necessidade de longos comentários, mas podemos resumí-lo da seguinte forma: Devemos nos submeter às autoridades não apenas pelo temor, mas sobretudo por questão da necessidade de uma consciência inculpável diante de Deus!!
É claro que isto irá gerar conflitos... Mas devemos lembrar-nos de que Deus trará a juízo a questão deste princípio da seguinte forma: "O que fizeste com teu próximo??" Podemos comparar com o que lemos em GN 4:8.     Observemos que Deus não aceitou uma resposta evasiva de Caim. Ou seja, nos momentos em que tínhamos autoridade sobre alguém, o que fizemos com esta pessoa. E nos momentos em que deveríamos ser submissos a alguém, o que fizemos com esta pessoa??
    Conflitos podem gerar injustiças ou serem frutos de injustiça, mas Deus tem a resposta contida em seus desígnios (muitas vezes ocultos ao Homem). Confiramos uma mensagem interessante em Ecl 8:9. _Quem pode entender isto?!?

    Uma importante questão no princípio da autoridade é o Domínio! Observemos que desde o princípio da criação há uma luta nos níveis terreno e espiritual em busca do DOMÍNIO. O Domínio é fascinante! É surpreendente o que o ser humano é capaz de fazer para obtê-lo.
    Domínio é uma posse "legal"! Por isso este ensinamento vem junto ao ensino da neo-doutrina da LEGALIDADE.
    Domínio é uma posse legítima! É um direito reconhecido!... Domínio está (muito) acima de governo. O governo tem o dever (ou seria obrigação??) de exercer seu poder em função do povo ou de seus liderados. O domínio pode ser exercido em prol de si mesmo!!
    O domínio na mão de um tirano ou de um incompetente pode vir a trazer uma assolação ao povo.
    Domínio é algo próximo de SOBERANIA!!!

    Mas o que dizer do domínio na mão de um homem temente a Deus??


        * A maneira como fazemos as coisas é tão importante quanto o que estamos fazendo, independente das nossas intenções!

    Mencionamos aqui duas preocupações! Nossa primeira preocupação é pelo modo como este ensinamento vem adentrando algumas de nossas igrejas. Receamos pelo fato de que ele possa ser uma preparação para termos irmãos controlados não pelo poder do Espírito, mas pela admiração e reverência cega ao seu líder. Receamos que alguns líderes ousem ocupar o lugar de Deus no coração e na mente do povo. Receamos que possamos vir a ter uma igreja composta por pessoas de vontade e opinião subjugadas. Receamos pela possibilidade deste ensinamento vir a fornecer meios para que líderes mal preparados possam gostar da idéia de virem a ter o "controle" dos membros da igreja que governam. Reafirmamos que há diferenças entre governo e domínio. (O primeiro deve ser exercido para promover o bem-estar do povo e não de si mesmo, enquanto que o segundo pode ser usado para promover o bem-estar de si mesmo...) Logo, todo pastor (como administrador do rebanho de Deus) deve ser um governante; jamais um dominador.
    Outra preocupação é pela hipótese de surgirem líderes que desejem ter primazia sobre outros líderes que estejam sob sua jurisdição administrativa. Isto pode tornar-se um desastre!
    É assustadora a idéia de termos uma administração baseada no princípio "papal"...

    Toda submissão interesseira ou sem entendimerto é danosa...
    - Cegos não devem guiar ninguém!
    - Cegos não se devem deixar guiar por outros cegos!!
    Romanos 13 fala-nos que devemos andar como em pleno dia... Isto significa que devemos estar vendo claramente por onde estamos indo .

    Recomendamos a leitura sobre a soberania do Senhor e sobre o Seu domínio, em Jó, capítulos 38 ao 41.
    I Cor 15:24, fala-nos que o Senhor Jesus Cristo, um dia, terá destruído todo domínio, autoridade e poder... Ele próprio sujeitando-se ao Pai.

    Conclusão: O ensino do princípio da autoridade é bíblico. Mas não deve ser usado para desenvolver meios de controle em prol de interesses pessoais.
    Não cremos que seja bíblico ensinar acerca do princípio da autoridade sem reconhecer sua própria (de fato e por fatos) submissão ao Senhor. Retomando o texto que narra acerca do centurião, vemos que quando ele comentou sobre sua posição de superioridade (em relação aos seus criados), foi exatamente para enfatizar sua inferioridade em relação ao Senhor.
    I Ped 2:13 (ao 19) [e Efs 6:5-9-!- // Col 3:22], manda-nos sermos sujeitos a toda autoridade humana em virtude de nossa consciência para com Deus, porque Deus irá nos julgar em função do que fizemos tanto de um lado quanto do outro, no exercício da autoridade-submissão. Ressalte-se o ensino contido em Fil 2:3, "Cada um considere os outros superiores a si mesmo"... Isto significa que para quem exerce autoridade, é essencial o domínio de si mesmo! Ou seja, o domínio próprio! (Gál 5:23).
    Finalizamos dizendo que, para o cristão, autoridade é uma questão de PROBIDADE!