12 de dezembro de 2011

A Conduta do Cristão


Em muitas passagens no Novo Testamento o crente é instruído a não pecar. A implicação é que o pecado terá um efeito negativo em sua vida. As Escrituras deixam claro que o crente não está debaixo da Lei no que concerne à salvação. Entretanto, o critério moral apresentado pelo Novo Testamento é basicamente o mesmo que a Lei. Os critérios morais de Deus não mudaram; somente os requisitos de Deus para a nossa salvação.
O reino espiritual está à nossa volta, mas não somos capazes de acessá-lo. Nossos cinco sentidos não propiciam nenhum contato com o reino espiritual. Somos totalmente dependentes do Senhor para todo o nosso conhecimento nessa área. O reino espiritual já existia antes de o reino natural ser criado e é mais real que o reino físico em que vivemos.
Para compreender o significado do pecado, precisamos observar seus efeitos no reino espiritual. Lidamos com as coisas espirituals com base nas informações que o Senhor nos dá. Além das palavras que o Espírito Santo nos dá diretamente a nós, a única outra fonte autorizada são as Escrituras. Todas as informações que são fornecidas pelo Espírito Santo estarão de acordo com as Escrituras, e todas as informações recebidas "espiritualmente" precisam ser julgadas de acordo com as Escrituras antes de serem aceitas. O crente tem uma posição, fornecida por Deus, no reino de Deus. Essa é uma posição "legal" que é uma posição de perfeita justiça por meio de Cristo, e garante a salvação. Isso não é o mesmo que a condição do crente no reino natural. As Escrituras indicam claramente que existem fatores no reino natural que afetam nossa condição.
Nossa condição é afetada pela nossa conduta. É também afetada por nossa capacidade de nos apropriarmos da aliança e da promessa de Deus de nos ajudar. Deus oferece nossa posição e o homem controla seu estado; não, entretanto, por sua própria força, mas com o Espírito Santo. Essa posição espiritual e nossa condição presente estão envolvidas é expressas em muitas passagens nas Escrituras:
"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. ... 4) Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito... 10) E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espirito vive por causa da justiça." [Romanos 8:1,4,10]
"Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?... E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus." [Tiago 2:21-23]
"Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo." [1 João 3:7]
Nesses versos, bem como em muitos outros, há uma clara indicação que existe uma posição espiritual e uma condição natural envolvidas. Tentar igualar as duas torna o conteúdo desses versos contraditórios. Se nossa posição espiritual garante nossa salvação, qual então é o significado da nossa condição no reino natural? Em Romanos 8:1 há uma clara indicação que seguir as inclinações da carne traz condenação. No entanto, é claro nas Escrituras que, por meio de Cristo, o crente tem uma posição de justiça no reino de Deus. Assim, as conseqüências para o crente seguir a carne precisam referir-se à carne e não à salvação.
Se a condenação não for contra nossa posição espiritual, precisa então estar relacionada com a nossa condição. Isto é, a condenação pode ser contra nós no mundo natural, embora não se refira à nossa posição com Deus. Se não se relaciona com nossa posição diante de Deus, então segue-se que é Satanás quem traz condenação contra nós no mundo natural.
A maldição da lei, no Antigo Testamento, dava a Satanás acesso contra aquele que pecava.
Romanos 8:4 diz claramente que a lei funciona de acordo com a conduta. Assim, podemos ainda trazer a maldição da lei sobre nós por meio do pecado, e embora a lei não se aplique mais para a salvação, o critério moral expresso nela ainda tem efeito na nossa condição no reino natural.
Romanos 8:10 indica que o corpo pode estar "morto" ao mesmo tempo em que o espírito está vivo, se houver pecado na vida da pessoa. Nesse contexto, a morte significa separação, não aniquilação. Assim, o verso implica que o pecado separa o corpo da associação de Deus embora ele esteja presente, como o Espírito Santo, dando vida ao espírito humano. Sob essa condição, o corpo não teria a proteção de Deus e estaria vulnerável ao ataque satânico. A vida do espírito "por causa da justiça" é obviamente a justiça de Cristo atribuída a nós, e não por nossos próprios méritos. Novamente, vemos aqui que o pecado abre a porta para a aflição demoníaca na mente e no corpo.
Em Tiago 2:21-23, vemos a referência a uma justificação que aplica-se à condição de Abraão e uma justiça que refere-se à sua posição. Finalmente, 1 João 3:7 apresenta uma justiça que é atribuída ao desempenho bem como alocação. Como nossa posição nos céus baseia-se totalmente nos méritos de Cristo, segue-se que esse verso refere-se à nossa condição bem como à nossa posição.
As leis morais do Antigo Testamento ainda são normativas para a conduta. Logicamente, algumas mudanças sociais afetaram a aplicação de almas leis, como por exemplo a morte por apedrejamento. No Novo Testamento, fica claro que as restrições alimentares e as leis governamentais não estão mais em vigor; a única restrição alimentar que o Novo Testamento prescreve é contra comer carne com sangue. Deus não estabelece a Lei para seu próprio benefício, mas para o benefício do homem. Enquanto os judeus obedeceram a Lei, estiveram sob a proteção de Deus. Quando desobedeceram a Lei, Satanás obteve acesso e pôde atacá-los. Quando o homem peca, dá a Satanás autoridade sobre sua vida.
"Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." [Romanos 6:6]
Da mesma foram como a Lei protegia os israelitas do ataque satânico, assim também a obediência ao critério moral de Deus protege o crente dos ataques demoníacos.
Quando Adão escolheu seguir a Satanás, rebelando-se contra Deus, entregou a Satanás a autoridade que lhe tinha sido entregue por Deus. Tendo dado sua autoridade a Satanás, Adão não teve como reinvindicá-la de volta. Assim também ocorre hoje, quando o homem entrega a autoridade em sua vida a Satanás, não tem a capacidade de recuperá-la. Felizmente, o crente tem acesso a um poder maior, por meio de Jesus Cristo, pelo qual pode superar a posição que Satanás ganhou. O chefe do lar tem a capacidade por meio da delegação de autoridade do Senhor, de restaurar para si e para sua família tudo o que Satanás tirou dele. É instrutivo olhar para as diretrizes para a seleção dos presbíteros e diáconos, conforme prescritas nas Escrituras, para obter uma compreensão dos critérios de conduta para o chefe da família.
"Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)" [1 Timóteo 3:2-5]
Embora esses sejam critérios para a liderança na igreja, um padrão similar aplica-se ao chefe do lar. O chefe da família, homem ou mulher, mantém uma forte posição cristã por meio do tempo dedicado para a leitura e meditação na Palavra. Todas essas virtudes mencionadas acima contribuem para uma posição positiva de autoridade.
Deus colocou o chefe da família em uma posição crucial. Ele (ou ela) pode escolher abençoar sua família, ou pode bloquear Deus de chegar a ela, porque a bênção de um pai dirige o fluxo das dádivas de Deus. Quando os pais oram e seguem os princípios de Deus de autoridade e de santidade, o espírito e a alma das crianças serão nutridos... Afinal, santidade não é religiosidade ou legalismo. É a vida de amor sacrifical vivida diariamente na família. É amor profundo, expresso pessoalmente no lar. É obediência à Palavra de Deus.
Atualmente, existem muitas famílias em que não existe a figura paterna. Nesses casos, a mãe precisa buscar no Senhor a cobertura de autoridade. O Senhor é então um marido para a mulher e um pai para seus filhos. Debaixo dessa cobertura, a mulher assume então total poder de autoridade sobre seus filhos. É importante nessa circunstância, que todo o poder de autoridade negativa do pai seja quebrada no nome de Jesus.
Como a tarefa de prover a cobertura de autoridade é mais difícil para a mãe solteira do que quando o pai e a mãe estão presentes, seria apropriado para uma mãe reivindicar as bênçãos do Senhor para si mesma e para seus filhos quando não houver um pai para fazer isso.