10 de setembro de 2011

Eutanásia


Eutanásia
CONCEITO
Eutanásia é o esforço humano no sentido de apressar a morte própria, ou a de um parente ou de alguém que está em sofrimento. Ela é apresentada pelos defensores como sendo uma extensão dos direitos humanos, no sentido de que cada um deveria ter o direito a decidir sobre a própria vida. Transcende a questão do suicídio, pois postula o direito de alguém decidir sobre a vida de outro, baseado em uma condição arbitrária e intangível - a existência ou não de qualidade naquela vida a ser terminada.
2. DISTINÇÃO COM PENA DE MORTE
A pena de morte consiste na execução de uma sentença punitiva, retributiva, procedente de um Tribunal legalmente estabelecido e seguindo procedimentos uniformes. É verdade que a pena de morte envolve a decisão sobre a vida de outros, mas eutanásia baseia-se na aferição subjectiva da vida que deveria ser terminada, examinando-se se ela perdeu o sentido, a qualidade ou o seu propósito.
3. A QUESTÃO DO SOFRIMENTO
Quem postula a eutanásia, argumenta com o sofrimento que a pessoa está a padecer e que diminui a "qualidade" de vida humana, razão por que estaria legitimado o término do sofrimento, quer voluntariamente, quer pelo arbítrio ou determinação de outro, como, por exemplo, a de um parente próximo.
Ora, lemos em 1Cor. 10:13 "Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar".
Paulo relata em 2 Cor. 1:3 s., como apesar de ter sofrido tribulações e aflições, o Senhor o confortou. Paulo chega a dizer (v.8-10) que "fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará".
Neste cenário, podemos até gloriar-nos nas tribulações (Romanos 5:3,4) !
4. UMA ERRADA VISÃO DA MORTE
Os que defendem a eutanásia como forma de libertação do sofrimento, não têm em consideração princípios bíblicos basilares:
A morte é fruto do pecado, sobrevindo ao homem em função da queda e do pecado (Rom. 5:12);
A morte dos justificados por Deus, pelo trabalho de Cristo Jesus, é "preciosa aos olhos do Senhor" (Sl 116.12) porque por ela já se encontrarão com o Seu Criador, mas em nenhuma passagem há aprovação para que essa morte seja apressada ou para que a vida seja terminada arbitrariamente, essa morte ocorre no seio da providência divina. É verdade que os servos de Deus muitas vezes expressaram o desejo de morrer antes do tempo apontado por Deus, buscando encontrá-lo (Fil. 1.23), mas submeteram-se à vontade de Deus nas suas vidas, sendo o exemplo maior o Senhor Jesus Cristo (Mateus 26:39);
A morte dos ímpios, longe de ser libertação de sofrimento, é o início do sofrimento eterno maior (Hb 9.27 e 10.31).
5. O PRIMEIRO CASO DE EUTANÁSIA NA BÍBLIA
O primeiro caso de eutanásia que conhecemos na Bíblia, foi declarado por um jovem guerreiro ao comandante David depois de uma batalha. Explicou que havia matado Saul a pedido dele para evitar mais sofrimento, por que estava na angústia da morte (2 Samuel 1:2-16). Ao invés de concordar com ele, Davi na sua autoridade de comandante e Juiz militar mandou que ele fosse executado, porque o jovem não temeu levantar a mão para matar o ungido do Senhor.
6. A QUESTÃO DA "VIDA VEGETATIVA"
Qual a perspectiva bíblica na tomada de decisão sobre o desligar ou manter em funcionamento uma máquina que mantém em vida vegetativa um ser humano ?
Somente Deus tem o direito de tirar a vida humana, salvo nos casos em que Ele delegou autoridade ao homem para fazê-lo. Tendo Deus concedido vida, ninguém tem o direito de tirá-la, mesmo a sua própria. A eutanásia viola a santa lei de Deus, e qualquer sociedade que a permite estará sujeita ao Seu juízo.
No caso da vida vegetativa se o paciente mantiver todas as funções básicas e orgânicas em funcionamento, sendo apenas ajudado numa delas (v.g., tomada de soro como forma de alimentação e hidratação pelo seu cérebro estar adormecido, mas com as demais funções orgânicas em estado normal), o desligar da máquina consistirá numa efetiva eutanásia.
Se todavia o paciente não tiver as funções básicas em funcionamento, sendo essas funções substituídas pela máquina (v.g., no coração), a retirada da máquina poderá pura e simplesmente revelar que a pessoa efetivamente já não tem formas de sobrevivência e inclusive pode apenas estar ali o seu corpo, mas a sua alma e espírito já estão na eternidade.