20 de agosto de 2008

Humor: Carta de uma amiga.


Amiga:
Conforme minha promessa, estou enviando um e-mail
contando as novidades da minha primeira semana depois de
ser transferida pela firma para o Rio de Janeiro.
Terminei hoje de arrumar as coisas no meu novo
apartamento.


Ficou uma gracinha, mas estou exausta. São dez da
noite e já estou pregada.


Segunda-Feira: Cheguei na firma e já adorei. Entrei no
elevador quase no mesmo instante que o homem mais lindo
desse planeta. Ele é loiro, tem olhos verdes e o corpo
musculoso parece querer arrebentar o terno.


Lindooooo! Estou apaixonada. Olhei disfarçadamente a hora
no meu relógio de pulso e fiz uma promessa de estar
parada defronte ao elevador todos os dias a essa mesma
hora. Ele desceu no andar da engenharia. Conheci o
pessoal do setor, todos foram atenciosos comigo.


Até o meu chefe foi super delicado. Estou maravilhada com
essa cidade.


Cheguei em casa e comi comida enlatada. Amanhã vou a um
mercado comprar alguma coisa.


Terça-Feira: Amiga! Precisava contar. Sabe aquele homem
de quem falei?


Ele olhou para mim e sorriu quando entramos no elevador.
Fiquei sem ação e baixei a cabeça. Como sou burra! Passei
o dia no trabalho pensando que preciso fazer um regime.
Me olhei no espelho hoje de manhã e estou com uma
barriguinha indiscreta. Fui no mercado e só comprei
coisinhas leves:biscoitos, legumes e chás. Resolvido!
Estou de dieta.


Quarta-Feira: Acordei com dor-de-cabeça. Acho que foi a
folha de alface ou o biscoito do jantar. Preciso
manter-me firme na dieta.


Quero emagrecer dois quilos até o fim-de-semana. Ah! O
nome dele é Marcelo. Ouvi um amigo dele falando com ele
no elevador. E ainda tem mais: ele desmanchou o noivado
há dois meses e está sozinho. Consegui sorrir para ele
quando entrou no elevador e me cumprimentou. Estou
progredindo, né? Como faço para me insinuar sem parecer
vulgar?


Comprei um vestido dois números menor que o meu. Será a
minha meta.


Quinta-Feira: O Marcelo me cumprimentou ao entrar no
elevador. Seu sorriso iluminou tudo! Ele me perguntou se
eu era a arquiteta que viera transferida de Brasília e eu
só fiz: 'U-hum'... Ele me perguntou se eu estava gostando
do Rio e eu disse: 'U-hum'. Aí ele perguntou se eu já
havia estado antes aqui e eu disse: 'U-hum'. Então ele
perguntou se eu só sabia falar 'U-hum' e eu respondi:
'Ã-hã'. Será que fui muito evasiva? Será que eu deveria
ter falado um pouco mais?


Ai, amiga! Estou tão apaixonada! Estou resolvida!Amanhã
vou perguntar se ele não gostaria de me mostrar o Rio de
Janeiro no final de semana. Quanto ao resto, bem...ando
com muita enxaqueca. Acho que vou quebrar meu regime
hoje. Estou fazendo uma sopa de legumes. Espero que não
me engorde demais.


Sexta-Feira: Amiga! Estou arruinada! Ontem à noite não
resisti e me empanturrei. Coloquei bastante batata-doce
na sopa, além de couve, repolho e beterraba. Menina, saí
de casa que parecia um caminhão de lixo.


Como eu peidava! (nossa! Você não imagina a minha
vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar, vou me
jogar pela janela!).


No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um
solavanco para eu soltar um futum que nem eu mesma
suportava.


Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou: 'Aí!
Peidar até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é
muita sacanagem!' Uma senhora gorda foi responsabilizada.
Todo mundo olhava para ela, tadinha. Ela ficou vermelha,
ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para
soltar outro. O meu maior medo era prender e sair um
barulhento. Eu estava morta de vergonha.


Desci na estação e parei atrás de uma moça com um bebê no
colo, enquanto aguardava minha vez de sair pela roleta.
Aproveitei e soltei mais um. O senhor que estava na
frente da mulher com o bebê virou-se para ela e disse:
'Dona! É melhor a senhora jogar esse bebê fora porque ele
está estragado!'.


Na entrada do prédio onde trabalho tem uma senhora que
vende bolinhos, café, queijo, essas coisas de camelô.
Pois eu ia passando e um freguês começou a cheirar um
pastel, justo na hora em que o futum se espalhou. O
sujeito jogou o pastel no lixo e reclamou:'Pó, dona
Maria! Esse pastel tá bichado!'


Entrei no prédio resolvida a subir os dezesseis degraus
pela escada.


Meu azar foi que o Marcelo ficou segurando a porta,
esperando que eu entrasse. Como não me decidia, ele me
puxou pelo braço e apertou o botão do meu andar. Já no
terceiro andar ficamos sozinhos. Cheguei a me sentir
aliviada, pois assim a viagem terminaria mais rápido.
Pensei rápido demais. O elevador deu um solavanco e as
luzes se apagaram.


Quase instantaneamente a iluminação de emergência
acendeu. Marcelo sorriu (ai, aquele sorriso...) e disse
que era a bruxa da sexta-feira.


Era assim mesmo, logo a luz voltaria, não precisava se
preocupar. Mal sabia ele que eu estava mesmo preocupada.


Amiga, juro que tentei prender.


Mas antes que saísse com estrondo, deixei escapar.


Abaixei e fiquei respirando rápido, tentando aspirar o
máximo possível, como se estivesse me sentindo mal, com
falta de ar. Já se imaginou numa situação dessas? Peidar
e ficar tentando aspirar o peido para que o homem mais
lindo do mundo não perceba que você peidou?


Ele ficou muito preocupado comigo e, se percebeu o mau
cheiro, não o demonstrou.


Quando achei que a catinga havia passado, voltei a
respirar normal.


Disse para ele que eu era claustrófoba. Mal ele me ajudou
a levantar, eu não consegui prender o segundo, que saiu
ainda pior que o anterior.


O coitado dessa vez ficou meio azulado, mas ainda não
disse nada.


Abaixei novamente e fiquei respirando rápido de novo,
como uma mulher em estado de parto.


Dessa vez Marcelo ficou afastado, no canto mais distante
de mim no elevador.


Na ânsia de disfarçar, fiquei olhando para a sola dos
meus sapatos, como se estivesse buscando a origem daquele
fedor horroroso.


Ele ficou lá, no canto, impávido. Nem bem o cheiro se
esvaiu e veio outro.


Ele se desesperou e começou a apertar a campainha de
emergência.


Coitado! Ele esmurrou a porta, gritou, esperneou, e eu
lá, na respiração cachorrinho.


Quando a catinga dissipou, ele se acalmou.


As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos.


Ele me viu chorando, enxugou meus olhos e disse: 'Meus
olhos também estão ardendo...' Eu juro que pensei que ele
fosse dizer algo bonito.


Aquilo me magoou profundamente. Pensei:'Ah, é, FDP? Então
acabou a respiração cachorrinho...'


Depois disso, no primeiro ele cobriu o rosto com o
paletó.


No segundo, enrolou a cabeça.


No terceiro, prendeu a respiração, no quarto, ele ficou
roxo.


No quinto, me sacudiu pelos braços e berrou: 'Mulher!
Pára de se cagar!'. Depois disso ele só chorava. Chorou
como um bebê até sermos resgatados, quatro horas depois.


Entrei no escritório e pedi minha transferência para
outro lugar, de preferência outro País.


Apague este e-mail depois de ler, tá?


Sua amiga, Ana.